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ASSOCIAÇÃO CIDADANIA & DIGNIDADE

BLOG DA ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE DEFESA E PROMOÇÃO DA CIDADANIA E DIGNIDADE

SÓ É DIGNO DA LIBERDADE, AQUELE QUE LUTA PARA CONQUISTÁ-LA

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL \ 1988


CAPÍTULO V
DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Art. 220 - A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

§ 3º - Compete à lei federal:


José Luiz Barbosa, Presidente da Associação Cidadania e Dignidade

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Comissão ouve policiais sobre crime organizado em JF


A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais se reúne nesta segunda-feira (4/6/12) para dar continuidade à discussão sobre denúncias relativas à existência de crime organizado em Juiz de Fora (Zona da Mata), relacionadas sobretudo a máquinas caça-níqueis. A requerimento do presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT), e do deputado Sargento Rodrigues (PDT), foram convocados a prestar depoimento às 13h30, no Plenarinho III, os policiais Fernando Camarota Filho, delegado da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Juiz de Fora; Eduardo da Silva, delegado Regional de Varginha; e Alexandre Soares, da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Juiz de Fora.
O requerimento para ouvir os policiais foi aprovado em reunião anterior, a portas fechadas, realizada na última segunda-feira (28/5), quando foram reforçadas denúncias de que que policiais civis e militares estariam envolvidos no crime organizado em Juiz de Fora e de que os autores das denúncias estariam ameaçados de morte. Segundo o presidente da comissão, essas denúncias reforçariam, entre outros, o envolvimento de empreiteiros e agentes públicos da administração municipal em atividades criminosas na cidade, especialmente aqueles relacionadas a jogos de azar. Durval Ângelo disse que máquinas de jogo usadas em Juiz de Fora seriam originadas do município de Goiânia (GO), sugerindo relação com as denúncias envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Segundo o deputado Sargento Rodrigues, as apreensões de máquinas em Juiz de Fora superariam proporcionalmente aquelas realizadas em cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Convidados – Além dos convocados, foram convidados para a reunião o coordenador do Centro de Apoio Operacional ao Combate ao Crime Organizado, procurador de Justiça Andre Estevão Ubaldino Pereira; o coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias Criminais, da Execução Penal, do Tribunal do Juri e da Auditoria Militar, promotor Joaquim José Miranda Júnior; o delegado-chefe da Delegacia de Polícia Federal de Juiz de Fora, Cláudio Roberto Pessoa Dornelas; e o comandante da 4ª Região de Polícia Militar, coronel PM Ronaldo Nazareth.
Também foram convidados os majores PM Renato Sampaio Preste, Jeferson Ulisses Pires e Alexandre Nocelli; os capitães PM Yoshio Luiz Yamagushi, Erick Leal Lopes e Marcelo Monteiro de Castro Pimentel; e os cabos PM José Benedito dos Santos Filho, Alexandre Maurício Terra dos Santos e Marcelo de Oliveira Fabre, além de Dimas Alves Rodrigues Vieira.


Fonte: Assessoria de Comunicação ALMG

À revista, ex-diretor do Dnit acusa PSDB de fazer caixa 2 no Rodoanel; Pagot também diz que arrecadou para PT


Do UOL, em São Paulo

  • Lula Marques/Folhapress
    Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do DnitLuiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit
O ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) Luiz Antonio Pagot, que comandou o órgão entre 2007 e 2011, afirmou à revista "IstoÉ", que chegou às bancas nesta sexta-feira (1º), que o PSDB desviou recursos das obras do trecho sul do Rodoanel, em São Paulo, para financiar a campanha presidencial de José Serra em 2010. Segundo a publicação, Pagot disse também que o PT lhe pressionou a arrecadar recursos de empreiteiras para as campanhas da sigla também em 2010.
Segundo o ex-diretor, Paulo Preto, ex-presidente da Dersa --empresa responsável pelo Rodoanel--, lhe pediu, em 2009, que aprovasse um aditivo de R$ 264 milhões para a obra viária. Ele teria negado, alegando que o governo federal já havia pago sua parte no Rodoanel. Em seguida, os tucanos conseguiram a aprovação dos recursos sem a necessidade da aprovação do Dnit, de acordo com Pagot.
O ex-diretor do Dnit, que deixou o cargo no ano passado após denúncias de irregularidades no Ministério dos Transportes, disse que um procurador de uma empreiteira lhe confidenciou que 8% dos recursos do trecho sul do Rodoanel eram desviados.
“Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, afirmou Pagot à IstoÉ.
A reportagem da revista afirma que o comitê de Serra recebeu R$ 40 milhões em doações oficiais de empreiteiras que construíram o Rodoanel.

Petistas

Pagot afirma que em 2010, José De Filipi, tesoureiro das campanhas do PT no mesmo ano, se encontrou com ele e o pressionou a pedir doações de 40 empreiteiras envolvidas em obras do governo federal. O ex-diretor do Dnit identificou ao menos 15 destas 40 empresas que doaram cerca de R$ 10 milhões ao PT, segundo a prestação de contas enviada pelo partido ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Filippi disse à revista que foi apresentado a Pagot no comitê da campanha durante o primeiro turno da eleição, “mas a conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi, O tesoureiro petista afirmou que “num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral”, diz trecho da reportagem da "IstoÉ".
O ex-diretor do Dnit afirmou ainda que a atual ministra do Planejamento, Ideli Salvatti, usou do mesmo expediente quando disputou o governo de Santa Catarina, em 2010, mas ele não a atendeu.
Pagot dispara ainda contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO, ex-DEM), que teria lhe pedido ajuda para pagar as dívidas contraídas por ele com a Delta Engenharia com obras destinadas à empreiteira.

Quase 20% dos congressistas disputarão prefeituras

Levantamento feito pelo Congresso em Foco revela que eles são 110 representantes de 19 partidos, em uma corrida que envolve 74 prefeituras de municípios de todos os estados

Lia de Paula/Senado
Para resolver a briga no PT, Humberto Costa deverá ser candidato em Recife. Como ele, outros 109 parlamentares disputarão prefeituras
A partir de 30 de junho, quando acaba o prazo para que partidos definam candidatos e coligações para o pleito municipal de 7 de outubro, as atividades do Congresso entram em marcha lenta. A explicação está nos números: 110 parlamentares no exercício do mandato ou licenciados são pré-candidatos ao cargo de prefeito nas eleições deste ano – ou seja, 18,5% dos 594 parlamentares titulares (no exercício do mandato ou licenciados).
Trata-se de um grupo de congressistas de 19 partidos que, a menos que suas legendas mudem os planos, serão registrados como candidatos na corrida à prefeitura de 74 municípios em todos os estados do Brasil. O prazo estipulado pela Justiça Eleitoral para a inscrição dos representantes termina dentro de um mês, às 19h do dia 5 de julho. O segundo turno será realizado em 28 de outubro.
Dos 110 pré-candidatos congressistas, apenas quatro são senadores – Humberto Costa (PE), possível candidato petista à Prefeitura de Recife; Cícero Lucena (PB), tucano que deve disputar o cargo de prefeito de João Pessoa; Inácio Arruda (CE), provável candidato do PCdoB à Prefeitura de Fortaleza, e Jayme Campos (MT), candidato quase certo do DEM para prefeito de Várzea Grande.
Isso quer dizer que 5% dos 81 senadores vão deixar a Alta Casa um pouco de lado no segundo semestre para se dedicar às campanhas eleitorais. Partidos como PMDB, PDT, PTB, PV, Psol, PSB e PR por enquanto não sinalizaram que indicarão senadores para disputar a corrida eleitoral das prefeituras. Há quem cogite nos bastidores a possibilidade de que o senador Renan Calheiros (AL), líder do PMDB no Senado, entre no pleito em Maceió, por exemplo. Mas o mais provável é que Renan continue no Senado para, em 2013, tentar retornar à Presidência do Senado, posto que exerceu entre 2005 e 2007.
106 deputados candidatos
Já na Câmara, a situação é bem diversa. Serão 106 os deputados que deverão sair candidatos a prefeito nas eleições de outubro deste ano. Dos representantes titulares na Câmara, o PSDB é o partido com o maior número de pré-candidatos: dos 106 candidatos, 17 são tucanos. O PMDB vem em segundo lugar, com 15 prováveis pleiteantes. Por coincidência, os pré-candidatos do PT a alguma prefeitura são 13 – o número da legenda nas urnas. Em seguida, aparecem o DEM e o PSD, com dez pré-candidatos cada; o PR, com oito; o PSB, com seis; o PDT, com cinco; o PP, com quatro; o PCdoB, o PTB e o PRB, com três cada; PV, PPS e PSC têm dois representantes, e têm apenas um pré-candidato deputado as legendas PMN, PTdoB, PTC e PRP.
O Psol não deve indicar candidato congressista para o pleito municipal – o partido aposta as fichas na candidatura do deputado estadual Marcelo Freixo (RJ), que tem arregimentado o apoio de artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque em torno de sua campanha à Prefeitura do Rio de Janeiro.
Em Salvador, a maior disputa
Entre as capitais mais disputadas destacam-se Salvador, com oito pleiteantes congressistas, e Manaus, com três pré-candidaturas definidas e a possibilidade de que a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), em seu segundo ano de um mandato de oito anos, atenda ao clamor do partido e se lance à corrida eleitoral. Também há remotas possibilidades de que o senador Eduardo Braga (PMDB), no mesmo estágio de Vanessa, entre na briga em Manaus, mas sua indicação ao posto de líder do governo no Senado acabou por diminuir essa chance. Rio de Janeiro e São Paulo, dois dos principais centros eleitorais do país, têm dois parlamentares cada na disputa.
O levantamento do Congresso em Foco tem como objetivo esboçar um cenário eleitoral provável com base nas estimativas, definições e movimentações regionais de cada partido. Para tanto, a reportagem consultou executivas nacionais, lideranças de bancada na Câmara e no Senado e assessorias de imprensa de cada partido até reunir os parlamentares mais recentemente apontados como pré-candidatos – a maioria dessas candidaturas, ressalte-se, já está cristalizada pelas cúpulas partidárias. Assim, eventuais alterações nos quadros eleitorais serão mínimas, como demonstram os pré-candidatos e as próprias siglas.

Para especialistas, fim da PM não garantiria menos violência




* José Luiz Barbosa

Não se trata de uma recomendação superficial a apresentada pela ONU, pois sabemos que a desmilitarização das Polícias Militares, é uma das mudanças mais importantes para se garantir o início do processo de construção de uma Polícia cidadã e estruturada sobre os pilares do estado democrático de direito, sem o que estaremos fadados a reproduzir indefinidamente o ambiente de autoritarismo, prepotência, arrogância e abusos dos quais são vítimas preferenciais os praças das Polícias e Corpo de Bombeiros Militares.

Não há nenhuma justificativa de natureza e fundamentos técnicos e científicos para se ter uma segurança pública, com organizações militares e cerimonial típicos de exércitos, cuja filosofia de formação, emprego e treinamento são diametralmente opostas as desenvolvidas por organizações policiais, já que seu campo de atuação é garantia de direitos fundamentais e de defesa e promoção da cidadania e dignidade humana, em sua dimensão social e política.

O que não podemos mais é contraditoriamente ao que se observa cotidianamente, e com estudos já demonstrando a falência do modelo de organizações militares para as atividades de policiamento ostensivo e preventivo, perpetuarmos uma estrutura que não mais atende aos ditames de uma segurança pública efetivamente com respeito aos direitos e garantias fundamentais dos cidadão e de seus profissionais."


*Presidente da Associação Mineira de Defesa e Promoção da Cidadania e Dignidade e especialista em segurança pública.

Relatório da ONU pede que Brasil garanta que todos os crimes cometidos por agentes da lei sejam investigados de maneira independente 

A recomendação do relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, divulgado nesta quarta-feira (30), pedindo o fim das polícias militares no Brasil foi considerada superficial por especialistas e profissionais da segurança pública brasileira. A sugestão foi dada pela Dinamarca, cobrando a redução nas execuções feitas pelo Estado brasileiro. Porém, entendidos na área consideram que esta medida não resolveria o problema da prática policial que reflete altos índices de letalidade, corrupção e violação dos direitos humanos no Brasil.
O relatório da ONU ressalta que o Brasil precisa garantir que todos os crimes cometidos por agentes da lei sejam investigados de maneira independente, a fim de combater a impunidade dos crimes que calam juízes e ativistas de direitos humanos. Neste aspecto, o secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, concorda com a entidade internacional. “Sou contra a Justiça Militar, mas não defendo o fim de toda a instituição. O que tem que acabar, para evitar a impunidade dos casos de violação dos direitos humanos cometidos por alguns policiais, é a Justiça Militar. Porém, defender o fim da Polícia Militar empobrece o debate da segurança e isenta as responsabilidades do Ministério Público e da Polícia Civil”, acredita.
Sociólogo paulista Renato Lima defende que pedir apenas extinção da Polícia Militar é "leitura superficial" do problema
Conforme Lima, não é cabível alimentar o debate sobre o modelo ideal de segurança no Brasil com foco apenas na extinção da polícia fardada. “É uma leitura superficial do problema. Precisamos pensar uma reforma do modelo de segurança. Precisamos discutir o que o Brasil precisa partindo da reflexão sobre como organizar o tipo de polícia que queremos. Temos ruídos entre a Polícia Militar e a Polícia Civil, mas o problema não está em apenas uma das instituições”, exemplifica.
Consultor gaúcho em Segurança Pública e Direitos Humanos, Marcos Rolim também concorda com a necessidade de uma reforma da segurança pública, sem o fim da Polícia Militar, como solução para os problemas do Brasil. “Polícia militar existe na Espanha, na Alemanha, no Chile. O desafio é reformar a polícia brasileira, que tem o ciclo dividido. Aqui é o único lugar do mundo em que se divide patrulhamento e investigação em duas polícias. É um modelo esquizofrênico o adotado no Brasil, em que a Polícia Militar faz metade do trabalho e a Polícia Civil faz a outra”, defende.
Por outro lado, o desafio da reforma das polícias no Brasil, apesar de estar evidente aos olhos dos gestores e políticos, não está sendo enfrentado, defende Rolim. “É necessário alterar a Constituição Federal. O tema está posto em debate há tempo e é decisivo para mudarmos o modelo da segurança”, fala.
“Recomendação da ONU parte do horror com a letalidade”, diz Rolim
Os flagrantes e denúncias de casos de abuso da força policial no Brasil estão cada vez mais expostos. Porém, as formas de enfrentar o problema estão associadas a uma mudança estrutural mais profunda, acredita o sociólogo Renato Sérgio de Lima. “São práticas abomináveis, mas não podemos culpabilizar uma única instituição. Devemos ter uma reforma mais substantiva para mudar esta realidade, que envolva a redução da letalidade, a eficiência nas investigações, a corrupção policial e garanta a preservação dos direitos. Temos que acabar com os abusos combatendo a fragilidade do sistema de segurança como um todo”, explica.
"Ideia de que a Polícia Civil é mais eficiente ou democrática nem sempre é verdadeira", argumenta Marcos Rolim
O gaúcho Marcos Rolim acredita que as truculências policiais e os índices de pessoas mortas pelos homens de farda no Brasil repercutem internacionalmente devido ao contraste no modelo de segurança brasileiro em relação às outras nações. “As democracias mais consolidadas no mundo têm um padrão muito mais civilizado e o tratamento da polícia brasileira acaba causando espanto. A letalidade policial é grande no Brasil. A recomendação da ONU parte deste horror com a letalidade”, afirma.
De acordo com Rolim, no Rio Grande do Sul o maior problema são os abusos da força e de autoridade pela Brigada Militar. “O quadro se agravou no último período e sem uma resposta eficiente do Estado”, critica. Ele acredita que a atuação no policiamento ostensivo torna a Polícia Militar mais exposta a situações em que podem ocorrer abusos. “É uma polícia maior e que aborda pessoas todos os dias na rua. Mas a ideia de que a Polícia Civil é mais eficiente ou democrática nem sempre é verdadeira. Há relatos de torturas nas investigações da Polícia Civil. O abuso não tem a ver com o tipo da polícia e sim com a forma com que as instituições se organizam e fazem o trabalho”, defende.
“Temos que aprender a ser mais humanos e não a bater continência”, diz policial militar
Embora contrário à extinção da Polícia Militar, Leonel Lucas admite que é necessário mudar a formação de policiais no país
O presidente da Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (ABAMF), que representa os soldados da Brigada Militar gaúcha, Leonel Lucas sustenta que a formação dos policiais militares no Brasil é defasada e reproduz uma metodologia conservadora. “Temos que mudar nossa metodologia, não acabar com a instituição. Quem fará o trabalho que fazemos? Se acabar com a Polícia Militar, outros agentes de segurança serão ensinados na mesma metodologia. Eu acredito que é melhor incorporar as sugestões da ONU na nossa prática”, diz. E complementa: “Nossos ensinamentos são ultrapassados. A função da polícia é lidar com pessoas, abordar pessoas. Para fazer isso temos que investir no ensino dos policiais e nas instruções para respeitar os direitos humanos e não passar o dia marchando, batendo continência e limpando os coturnos”, acusa.
Segundo o policial militar, o incentivo à formação e a reformulação das academias de polícia seria, ao invés do fim, um bom recomeço para as instituições militares. “Temos que receber incentivo ao estudo. Fazer o terceiro grau. Os cursos de sargento no Rio Grande do Sul tem práticas de serviços gerais, como abrir buracos, carregar madeira e fazer faxina. O que isso vai auxiliar para prestarmos um bom serviço para a comunidade?”, indaga.
Já o presidente da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar, Aparício Costa Santellano acredita que os casos de abuso são isolados e não uma prática comum da corporação. “Não podemos generalizar e achar que isso é a metodologia ensinada. Não é rotina e não compactuamos com atuação de servidores neste sentido”, argumenta. Ele acredita que para melhorar a segurança pública no Brasil o necessário é aumentar os investimentos dos governos na área. “Não se faz segurança pública sem grandes investimentos. É caro. A sociedade tem que ter esta compreensão e cobrar para que isso aconteça”, salientou.

Fonte:SUL 21

O dedo do Lula


A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.

Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.

A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.

A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.

A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.

Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.

Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.

Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.

O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.
Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.

Fonte: Carta maior


"QUER ME ENGANAR, ME DÁ BALA": RESPOSTA AO MEMORANDO 10.510.3/12

O memorando nº 10.510.3/12, publicado neste BLOG, no dia 01 de junho de 2012, sugere aos militares, com conhecimento e obviamente domínio da língua inglesa, que se apresentem para trabalhar nos eventos da capital mineira em que contará com a presença de visitantes estrangeiros. 

Nada demais se houvesse a proposta de remuneração extra, o que até agora não foi cogitado. Porém, aguarde: O governo não pagará você, mas pagará o civil, que por sua vez, fará o mesmo trabalho e com remuneração exemplar.
 
Portanto, não se apresente como voluntário. 
Não trabalhe gratuitamente. 
O respeito a sua dignidade começa 
dentro de você. 
Valorize seu conhecimento.
 
"QUER QUE EU TRADUZA? PAGUE PELO MEU TRABALHO, EU ME ESFORCEI PARA TER CONHECIMENTO. NÃO VEIO DE GRAÇA"?
 
 
 
Renata Mota
Assessora de Comunicação do Vereador CABO JÚLIO (PMDB)
31 3555.1209
31 9853.5825
@cabojuliobh
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A SSP-SP considera absurda a sugestão de extinguir as polícias militares dos Estados brasileiros



PM mata seis vezes mais que Polícia Civil em São Paulo
Luis Kawaguti

Da BBC Brasil em São Paulo
Polícia Militar de São Paulo vigia manifestantes. Foto: France Presse
Policiais militares de São Paulo vigia manifestantes; PM mata seis vezes mais que Polícia Civil

A PM (Polícia Militar) matou seis vezes mais pessoas durante ações de combate ao crime do que seus pares da Polícia Civil em São Paulo no ano de 2011, segundo levantamento feito pela BBC Brasil.

O grau de letalidade da polícia no Estado mais populoso do país se insere no debate sobre a recomendação da abolição do sistema separado de Polícia Militar – feita ao Brasil no Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU no último dia 25.

A questão também deve entrar em debate em junho na Câmara, a pedido do deputado federal Chico Lopes (PC do B-CE).

Clique e leia mais: Militarismo da polícia vem do século 19Clique Leia mais: Militarismo da polícia vem do século 19

O levantamento da BBC Brasil foi feito com base em estatísticas fornecidas pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo).

Ele levou em conta os efetivos da PM (100 mil) e da Polícia Civil (30 mil) e os homicídios cometidos em serviço por membros de cada entidade em 2011 – 437 pela PM e 23 pela Polícia Civil.

Proporcionalmente, para cada grupo de 10 mil policiais, a PM se envolveu em 43 mortes e a Polícia Civil em sete.

Militarismo
Esses homicídios são classificados pelo governo como “resistência seguida de morte”. Isso significa que ocorreram durante o combate ao crime, em tese, quando os policiais se defendiam de supostas agressões dos suspeitos.

“A PM mata porque tem o mesmo treinamento do militar (das Forças Armadas), que combate inimigos externos. Isso é uma coisa que se deve discutir com a sociedade”, disse o deputado Lopes, que defende a unificação das polícias no Brasil em uma entidade civil.

“Minha preocupação não é com o nome, mas com o conceito da polícia. Precisamos tirar o militarismo e depois discutir currículo de formação para que todos (os policiais) comecem (a carreira) em pé de igualdade”, disse.

Funções distintas

Segundo a SSP-SP, a diferença nos níveis de letalidade das polícias se explica nas funções que cada uma exerce. À PM cabe o policiamento preventivo e ostensivo e à Polícia Civil a investigação.

“É natural, portanto, que a PM enfrente situações de confronto muito superiores aos da Polícia Civil. Em consequência, registram-se mais mortes na ação do policiamento ostensivo”, afirmou a pasta em nota.

Segundo a SSP-SP, se as polícias militares fossem substituídas ou se seus nomes fossem mudados, a probabilidade de confrontos não seria reduzida.

“Matar não é direito nem de uma nem da outra, mas a questão principal é que as polícias não se entendem bem”, disse Chico Lopes.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, em muitos Estados (inclusive São Paulo) existe uma disputa entre as polícias militares e civis.

Isso faz com que ambas possuam tanto órgãos destinados à inteligência e à investigação como equipes táticas usadas em patrulhamento ostensivo e confrontos de natureza tática com criminosos.

“O antagonismo (entre as polícias) surgiu das culturas diferentes. Há uma divisão por preconceito de longa data. Principalmente a PM tem procurado ocupar espaços de sua co-irmã. Isso é uma realidade em todo o país”, afirmou o sociólogo Luís Flávio Sapori, ex-secretário da Defesa Social de Minas Gerais e hoje professor da PUC-MG.

Segundo ele, a desarticulação e a desintegração entre as duas polícias é hoje um problema mais grave do que a militarização da PM.

Rio de Janeiro
A BBC Brasil solicitou estatísticas sobre a letalidade das polícias militar e civil no Rio de Janeiro ao ISP (Instituto de Segurança Pública), autarquia que divulga as estatísticas policiais no Estado.

O ISP não forneceu os dados. Afirmou que essas estatísticas são divulgadas de forma genérica (sem distinção entre mortes envolvendo policiais civis e militares). Ao todo, foram 523 mortes em 2011 – 63 a mais que as ocorridas em São Paulo no mesmo período. Continue lendo no FLIT PARALISANTE

Afogado até a alma no escândalo do mensalão, Lula quer abafar o julgamento



01-the-brazilian maio 2901Classificado como o maior e mais vergonhoso escândalo de corrupção política de toda a história do Brasil, o mensalão - planejado e executado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está atolado do pescoço até a alma no mar de lamas do escândalo -, está para ser julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), com previsões de que muitos dos acusados saiam presos da audiência.
O clamor popular pede que o STF julgue com isenção e faça uma lavagem da honra do povo brasileiro, ludibriado por uma quadrilha que se instalou no governo federal durante o mandato do ex-presidente Lula e assaltou os cofres públicos da nação brasileira.
A tendência no STF é de que muitos do acusados saiam presos da audiência. Mas, forças políticas, lideradas pelo próprio ex-presidente Lula usam de todos os meios limpos e sujos para evitar o julgamento e, na impossibilidade, livrar a cara dos acusados.01-the-brazilian maio 2902
Extrapolando os limites da ética e da moral pública, o ex-presidente Lula lançou sua última cínica e condenável cartada para abafar o julgamento no STF procurando, pessoalmente, ministros para desestimulá-los – não se sabe, é claro, com quais argumentos - de julgar e condenar os acusados.
Lula e o seu partido, o PT, se acostumaram, ao longo dos seus oito anos de poder, a direcionarem os resultados de procedimentos político-administrativos conforme seus interesses particulares, atropelando as normas e regras que norteiam a conduta ética e moral do poder público.
Tanto é verdade, que o próprio escândalo do mensalão é o mais veemente, contundente e cínico procedimento de quem se acha acima da lei e fora do alcance dela. Lula é o mais notório exemplo dos que se acham a cima e fora do alcance da lei. Tanto é que teve a ousadia de ir pessoalmente ao encontro de ministros do STF para interferir no resultado do julgamento do escândalo, caso não consiga fazê-lo prescrever, o que seria, para a quadrilha de acusados, o melhor resultado judicial sobre o escândalo.
Por sua vez, o STF, além do clamor popular – que nenhum mortal ainda ousou desafiar – já se sente vítima de tentativa de interferência e manipulação política de Lula, fato que só estimula seus ministros a julgarem o escândalo à luz das provas e da lei, o que levará, sem dúvida, um bando de cabeças coroadas da República por um bom tempo à prisão.
O ato do ex-presidente Lula em assediar ministros do STF para tentar interferir no resultado do julgamento do mensalão é o mais requintado exemplo de até que ponto chegou o cinismo, a ousadia e o atrevimento do ex-presidente para tirar a corda do próprio pescoço e de seus aliados petistas.
Os dois mais antigos ministros do STF - Celso de Mello e Marco Aurélio - reagiram com indignação e classificaram o episódio como “espantoso”, “inimaginável” e “inqualificável”, conforme mostra matéria abaixo, de autoria do jornalista Rodrigo Haidar, publicada no Consultor Jurídico, sob o título “Comportamento de Lula é indecoroso, avaliam ministros”.
“Se ainda fosse presidente da República, esse comportamento seria passível de impeachment por configurar infração político-administrativa, em que um chefe de poder tenta interferir em outro”. A frase é do decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, em reação à informação de que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem feito pressão sobre ministros do tribunal para que o processo do mensalão não seja julgado antes das eleições municipais de 2012. “É um episódio anômalo na história do STF”, disse o ministro.
As informações sobre as pressões de Lula foram publicadas em reportagem da revista Veja deste fim de semana. Os dois mais antigos ministros do Supremo — além de Celso de Mello, o ministro Marco Aurélio — reagiram com indignação à reportagem. Ouvidos neste domingo (27/5) pela revista Consultor Jurídico, os dois ministros classificaram o episódio como “espantoso”, “inimaginável” e “inqualificável”.
De acordo com os ministros, se os fatos narrados na reportagem da semanal espelham a realidade, a tentativa de interferência é grave. Para o ministro Celso de Mello, “a conduta do ex-presidente da República, se confirmada, constituirá lamentável expressão de grave desconhecimento das instituições republicanas e de seu regular funcionamento no âmbito do Estado Democrático de Direito. O episódio revela um comportamento eticamente censurável, politicamente atrevido e juridicamente ilegítimo”.
Já o ministro Marco Aurélio afirmou que pressão sobre um ministro do Supremo é “algo impensável”. Marco afirmou que não sabia do episódio porque o ministro Gilmar Mendes, como afirmou a revista Veja, tinha relatado o encontro com Lula apenas ao presidente do STF, ministro Ayres Britto. Mas considerou o fato inconcebível. “Não concebo uma tentativa de cooptação de um ministro. Mesmo que não se tenha tratado do mérito do processo, mas apenas do adiamento, para não se realizar o julgamento no semestre das eleições. Ainda assim, é algo inimaginável. Quem tem de decidir o melhor momento para julgar o processo, e decidirá, é o próprio Supremo”.
De acordo com Veja, o ministro Gilmar Mendes foi convidado para um encontro com Lula no escritório de Nelson Jobim, advogado, ex-presidente do Supremo e ex-ministro da Defesa do governo petista. Lula teria dito a Mendes que é inconveniente que o mensalão seja julgado antes das eleições e afirmado que teria o controle político da CPI do Cachoeira. Ou seja, poderia proteger Gilmar Mendes.
O encontro foi patrocinado por Jobim. Lula começou por oferecer "proteção" a Gilmar Mendes, no âmbito da CPI do Cachoeira, uma vez que ele teria a comissão sob seu comando. Gilmar reagiu negativamente e Jobim tentou consertar: "O que o presidente quis dizer é que o Protógenes pode querer convocá-lo". Ao que Gilmar teria retrucado que, nesse caso, quem precisa de proteção é ele, pelas suas ligações com o esquema de Cachoeira. Ao repetir que suas ligações com o senador Demóstenes nunca passaram dos limites institucionais, Lula teria perguntado sobre a viagem de Gilmar e Demóstenes a Berlim. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo do Campo. Minha filha mora lá. Vá fundo na CPI”. Mendes confirma o encontro com Demóstenes na Alemanha, mas garante que pagou as despesas da viagem de seu bolso. Sem favor de ninguém.
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O ministro Celso de Mello lamentou a investida. “Tentar interferir dessa maneira em um julgamento do STF é inaceitável e indecoroso. Rompe todos os limites da ética. Seria assim para qualquer cidadão, mas mais grave quando se trata da figura de um presidente da República. Ele mostrou desconhecer a posição de absoluta independência dos ministros do STF no desempenho de suas funções”, disse o decano do Supremo.
Para Marco Aurélio, qualquer tipo de pressão ilegítima sobre o STF é intolerável: “Julgaremos na época em que o processo estiver aparelhado para tanto. A circunstância de termos um semestre de eleições não interfere no julgamento. Para mim, sempre disse, esse é um processo como qualquer outro”. Marco também disse acreditar que nenhum partido tenha influência sobre a pauta do Supremo. “Imaginemos o contrário. Se não se tratasse de membros do PT. Outro partido teria esse acesso, de buscar com sucesso o adiamento? A resposta é negativa”, afirmou.
De acordo com o ministro, as referências do ex-presidente sobre a tentativa de influenciar outros ministros por via indireta são quase ingênuas. “São suposições de um leigo achar que um integrante do Supremo Tribunal Federal esteja sujeito a esse tipo de sugestão”, disse. Na conversa relatada por Veja, Lula teria dito que iria pedir ao ministro aposentado Sepúlveda Pertence para falar com a ministra Cármen Lúcia, sua prima e a quem apadrinhou na indicação para o cargo. E também que o ministro Lewandowski só liberará seu voto neste semestre porque está sob enorme pressão.
Marco Aurélio não acredita em nenhuma das duas coisas: “A ministra Cármen Lúcia atua com independência e equidistância. Sempre atuou. E ela tem para isso a vitaliciedade da cadeira. A mesma coisa em relação ao ministro Ricardo Lewandowski. Quando ele liberar seu voto será porque, evidentemente, acabou o exame do processo. Nunca por pressão”.
O ministro Celso de Mello também disse que a resposta de Gilmar Mendes “foi corretíssima e mostra a firmeza com que os ministros do STF irão examinar a denúncia na Ação Penal que a Procuradoria-Geral da República formulou contra os réus”. Para o decano do STF, “é grave e inacreditável que um ex-presidente da República tenha incidido nesse comportamento”.
De acordo com o decano, o episódio é grave e inqualificável sob todos os aspectos: “Um gesto de desrespeito por todo o STF. Sem falar no caráter indecoroso é um comportamento que jamais poderia ser adotado por quem exerceu o mais alto cargo da República. Surpreendente essa tentativa espúria de interferir em assunto que não permite essa abordagem. Não se pode contemporizar com o desconhecimento do sistema constitucional do país nem com o desconhecimento dos limites éticos e jurídicos”.
Celso de Mello tem a convicção de que o julgamento do mensalão observará todos os parâmetros que a ordem jurídica impõe a qualquer órgão do Judiciário. “Por isso mesmo se mostra absolutamente inaceitável esse ensaio de intervenção sem qualquer legitimidade ética ou jurídica praticado pelo ex-presidente da República. De qualquer maneira, não mudará nada. Esse comportamento, por mais censurável, não afetará a posição de neutralidade, absolutamente independente com que os ministros do STF agem. Nenhum ministro permitirá que se comprometa a sua integridade pessoal e funcional no desempenho de suas funções nessa Ação Penal”, disse o ministro.
Ainda de acordo com o decano do Supremo, o processo do mensalão será julgado “por todos de maneira independente e isenta, tendo por base exclusivamente as provas dos autos”. O ministro reforçou que a abordagem do ex-presidente é inaceitável: “Confirmado esse diálogo entre Lula e Gilmar, o comportamento do ex-presidente mostrou-se moralmente censurável. Um gesto de atrevimento, mas que não irá afetar de forma alguma a isenção, a imparcialidade e a independência de cada um dos ministros do STF”.
Celso de Mello concluiu: "Um episódio negativo e espantoso em todos os aspectos. Mas que servirá para dar relevo à correção com que o STF aplica os princípios constitucionais contra qualquer réu, sem importar-se com a sua origem social e que o tribunal exerce sua jurisdição com absoluta isenção e plena independência".
O anfitrião do encontro entre Lula e Gilmar Mendes, Nelson Jobim, negou que o ex-presidente tenha feito pressão sobre o ministro do Supremo. De acordo com notícia publicada no Blog do Noblat na noite deste domingo, em entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul, que será publicada nesta segunda-feira (28/5), Jobim repetiu o que disse desde que a semanal chegou às bancas: "nada do que foi relatado pela Veja aconteceu". O ex-ministro ainda disse ao jornal: "Estranho que o encontro tenha acontecido há um mês e só agora Gilmar venha se dizer indignado com o que ouviu de Lula. O encontro foi cordial. Lula queria agradecer a colaboração de Gilmar com o seu governo".

Ação da PM não muda vida de 72% dos moradores da Cracolândia


Uma pesquisa da Secretaria Municipal de Assistência Social de São Paulo mostrou que a maioria dos moradores de rua do centro da capital paulista não acredita que a operação da Polícia Militar na Cracolândia mudou a situação do local. Segundo o levantamento, 72,3% dos sem-teto afirmam que a intervenção da PM - iniciada há cinco anos - não mudou suas vidas e 17,2% dizem que a situação ficou pior - principalmente devido à violência dos agentes. Os outros 10,5% acham que houve progresso ou não responderam. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O levantamento foi feito de janeiro a março deste ano com uma amostra de 380 moradores de rua, de um total de 6.675 que não recebem atendimento dos albergues da prefeitura. Dos sem-teto que já foram abordados por policiais, 14,2% afirmaram ter sofrido alguma agressão por parte dos agentes. Para 23,5%, a Cracolândia apenas mudou de endereço após a operação policial. Os 10,5% que aprovam a ação da PM apontaram a segregação entre moradores de rua e viciados como a maior consequência positiva da intervenção. "Como tem menos droga, fumo menos", disse Robson da Silva, 29 anos, ao jornal.

fonte: Terra

Marco Maia: segunda semana de junho será dedicada a matérias sobre segurança


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A Câmara dos Deputados vai dedicar a semana do dia 12 de junho a votações de matérias ligadas à segurança pública. Depois de um encontro com o presidente da Casa, Marco Maia, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, manifestou apoio a este esforço que havia sido proposto pelos líderes partidários na reunião de terça-feira.
Segundo o ministro, existem projetos prioritários para o governo, todos relacionados à política de segurança pública. José Eduardo Cardozo descartou a inclusão na pauta da PEC 300, que fixa um piso nacional para policiais e bombeiros dos estados.
"São projetos de segurança pública e não de estruturação do funcionalismo. Um que é dos mais importantes é do Sinesp, que é o Sistema de Informação Estatística e Segurança Pública. Hoje todo trabalho que o governo federal faz em segurança pública não conta com informações precisas, não conta com informações sobre a criminalidade. E nós estamos estruturando, através deste projeto de lei, um sistema que torna obrigatória a remessa de dados e informações pelos estados para a União. O estado que não enviar esses dados não receberá verba de segurança pública."
O presidente da Câmara confirmou a votação dos projetos relacionados à segurança para a segunda semana de junho, depois da viagem que fará à China.
Marco Maia participa de uma missão oficial em retribuição à visita do presidente do parlamento chinês, em 2006. Segundo Marco Maia, também estão na agenda negociações para a constituição de um intercâmbio parlamentar no âmbito do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
"Que tratar, que vai discutir todos os temas que dizem respeito a todos os acordos internacionais que têm sido feitos entre os países que compõem o Brics. Então, é uma viagem de intercâmbio, mas também uma viagem de negociação dos termos da organização dessas ações que deverão ser desenvolvidas pelos parlamentos dos Brics."
Segundo o presidente Marco Maia, na próxima semana, o Plenário, sob o comando da vice-presidente Rose de Freitas, retoma as votações das medidas provisórias e aprecia o projeto que trata das neoplasias. Por conta do feriado do dia 7, haverá sessões na terça-feira e na quarta, pela manhã.
Marco Maia também voltou a comentar o episódio envolvendo o ex-presidente Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que afirma ter sofrido uma tentativa de pressão para adiar o julgamento do mensalão.
"Neste momento agora o importante é que se passe uma borracaha por cima deste episódio. Não é um episódio que vai trazer qualquer problema ao País, não vai trazer qualquer dificuldade para a própria votação do mensalão. Eu acho que, agora, nós temos que dar um chá de camomila para todos os envolvidos para que se volte à normalidade e à calma necessária neste momento."
Marco Maia avaliou que o ex-presidente Lula faz bem ao não rebater as recentes declarações do ministro Gilmar Mendes.

De Brasília, Idhelene Macedo.
 

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