Folha de S.Paulo
Encapuzados e armados, policiais militares em greve na Bahia isolaram o acesso de veículos à sede do governo estadual. O governador Jaques Wagner (PT) pediu ontem o reforço da Força Nacional de Segurança e foi atendido pelo governo.
A greve foi decretada anteontem por associação de policiais que o governo não reconhece. A Força Nacional de Segurança e o Exército foram destacados para atuar em Salvador. Ao todo, 1.250 homens serão enviados.
Ontem, a paralisação foi considerada ilegal pela Justiça. Segundo o procurador-geral do Estado, Ruy Moraes, caso a entidade não cumpra a decisão, será cobrada multa de R$ 80 mil por dia.
Apesar disso, o movimento cresceu e reduziu sensivelmente o policiamento nas ruas de Salvador e de algumas cidades do interior.
Em alguns bairros da capital, o comércio fechou mais cedo por temor de assaltos.
Por volta das 18h de ontem, a reportagem viu o fechamento do acesso ao Centro Administrativo da Bahia, que reúne o Executivo, o Legislativo e o Judiciário do Estado.
Pistolas
Policiais grevistas encapuzados e exibindo pistolas na cintura abordaram ônibus e obrigaram motoristas e passageiros a descer.
Depois, atravessaram os veículos nas avenidas de acesso ao Centro Administrativo e furaram os pneus a facadas.
O motorista Josenildo Martins, 42 anos, contou que os encapuzados atiraram nos pneus do ônibus que dirigia. Ele exibia um cartucho de munição de pistola. "Para mim, isso não é atitude de autoridade."
O governo afirma que dois terços dos policiais militares continuam trabalhando normalmente. O presidente da Aspra (Associação de Policiais e Bombeiros da Bahia), Marco Prisco, afirma que a adesão à greve é total.
Prisco foi expulso da PM após ter liderado uma grande greve de policiais em 2001. "O governador Jaques Wagner está se mostrando completamente intransigente às demandas da tropa", diz líder do movimento.
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